Absenteísmo: o que é, tipos e causas
Faltas frequentes no trabalho não passam despercebidas. Atrasos, sobrecarga de equipe e queda na produtividade são algumas das consequências. O absenteísmo vai além de um problema pontual – pode ser um reflexo da cultura organizacional, do clima interno ou até da gestão de pessoas.
Empresas que monitoram o índice de absenteísmo conseguem identificar padrões e agir antes que o impacto afete os resultados. Mas nem toda ausência é igual. Algumas são justificadas, outras não. Há ainda o presenteísmo, quando o funcionário está presente, mas sem rendimento.
Entender o que leva um profissional a se ausentar é o primeiro passo para minimizar o problema. Quais são os tipos de absenteísmo? Como medi-lo? O que as empresas podem fazer para reduzir o impacto? Neste guia, você encontra respostas diretas para essas questões e estratégias para tornar sua empresa mais eficiente.
O que é o absenteísmo?
Definição e origem do termo
Absenteísmo é a ausência frequente do trabalhador no ambiente corporativo. Pode ocorrer por diferentes razões, como doenças, problemas pessoais ou desmotivação. O termo vem do latim absentia, que significa “estado de não estar presente”.
No mundo corporativo, essa ausência afeta produtividade, custos operacionais e clima organizacional. Empresas monitoram esses índices para identificar padrões e buscar soluções.
Absenteísmo no contexto empresarial
Faltar ao trabalho pode ser eventual ou recorrente. Quando o índice de absenteísmo cresce, os efeitos aparecem: atraso em entregas, sobrecarga da equipe e queda na qualidade do serviço.
Os principais tipos são:
- Absenteísmo justificado: ocorre quando há atestado médico ou permissão prévia da empresa.
- Absenteísmo injustificado: quando o funcionário falta sem comunicação prévia.
- Presenteísmo: o colaborador está fisicamente presente, mas seu desempenho é baixo devido a doenças, estresse ou falta de engajamento.
Diferença entre absenteísmo e turnover
Absenteísmo e turnover não são a mesma coisa. O primeiro refere-se às faltas, enquanto o segundo diz respeito à rotatividade de funcionários.
Altos índices de absenteísmo podem levar ao turnover. Quando um profissional falta repetidamente, a empresa pode optar por substituí-lo, aumentando custos com recrutamento e treinamento. Monitorar esses dados permite prever problemas e agir antes que afetem os resultados.
Tipos de absenteísmo
Os motivos para tirar folga do trabalho podem ser variados, mas geralmente se enquadram em três categorias: ausências aprovadas, ausências ocasionais e absenteísmo crônico.
Em 2021, o Bureau of Labor Statistics dos EUA afirmou que mais de 114.000 funcionários a tempo parcial ou a tempo inteiro faltam ao trabalho em qualquer dia de trabalho.
Nem toda ausência no trabalho acontece pelo mesmo motivo. Algumas são justificadas, outras não. Há também quem compareça, mas sem rendimento. Vamos direto ao ponto.
Absenteísmo justificado
Nem sempre faltar ao trabalho é um problema. Quando há motivos legais ou de saúde, a ausência é esperada.
Doenças e licenças médicas
Atestados médicos, afastamentos por doença crônica ou acidentes são exemplos de absenteísmo justificado. A legislação protege o trabalhador, garantindo o direito a períodos de recuperação sem impacto no vínculo empregatício.
Além disso, empresas com políticas de saúde ocupacional podem reduzir esse tipo de ausência. Programas de prevenção, incentivo à medicina preventiva e suporte psicológico ajudam a evitar afastamentos prolongados.
Férias e licenças legais
Férias, licenças maternidade e paternidade são ausências programadas e asseguradas por lei. Nessas situações, a empresa pode se organizar com antecedência, distribuindo tarefas para manter o fluxo de trabalho.
O desafio aparece quando há licenças prolongadas ou férias acumuladas, gerando desfalques em setores estratégicos. Planejamento e substituições temporárias ajudam a manter o equilíbrio.
Absenteísmo Injustificado
Quando o colaborador falta sem aviso ou justificativa válida, a empresa enfrenta problemas. O impacto pode ser imediato, sobrecarregando colegas e atrasando entregas.
Faltas sem aviso prévio
Chegar e não encontrar o funcionário pode ser um problema recorrente em algumas empresas. Quando não há comunicação, gestores precisam agir rápido para remanejar demandas e entender o motivo da ausência.
Se o comportamento se repete, o RH pode intervir. Conversas diretas, feedbacks estruturados e até medidas disciplinares entram em cena para reduzir o impacto.
Atrasos e saídas antecipadas
Não é só a falta completa que pesa. Chegar tarde e sair antes do horário também afeta a produtividade. Se for algo pontual, a empresa consegue lidar. Mas quando vira rotina, pode gerar conflitos e comprometer resultados.
Flexibilidade no horário e modelos híbridos ajudam a diminuir atrasos. Mas tudo precisa de regras claras. Afinal, para a empresa funcionar bem, é preciso equilíbrio entre liberdade e responsabilidade.
Presenteísmo
Nem sempre a questão é a ausência física. Há quem esteja no escritório ou logado no sistema, mas com rendimento muito abaixo do esperado. Isso também custa caro para a empresa.
Funcionários presentes, mas com baixo desempenho
Se o colaborador não está engajado, cansado ou doente, o resultado aparece nos números. Tarefas acumulam, prazos estouram e a equipe sente o peso.
Causas? Muitas. Problemas de saúde, desmotivação, ambiente de trabalho tóxico. A questão é identificar cedo e buscar soluções. Às vezes, uma simples conversa já faz diferença.
Impacto do presenteísmo na produtividade
A empresa pode até achar que está com o quadro completo, mas se metade da equipe não rende, os prejuízos são certos. O presenteísmo compromete qualidade, eficiência e, a longo prazo, aumenta o absenteísmo real.
A solução passa por gestão ativa, políticas de saúde mental e ambientes de trabalho que incentivem o bem-estar. Um colaborador que se sente valorizado tende a entregar melhores resultados.
O que não é considerado absenteísmo?
Nem todas as ausências são consideradas absenteísmo. Aqui estão algumas situações que são normalmente excluídas dessa classificação:
- Licença médica justificada: quando um funcionário está doente e possui atestado médico ou outra forma de documentação médica que comprova sua condição, essa ausência é considerada justificada. As organizações geralmente têm políticas que permitem que os funcionários se ausentem para cuidar de sua saúde sem penalidades.
- Férias aprovadas: o planejamento e aprovação de férias são processos normais em qualquer ambiente de trabalho. As férias são direitos dos empregados e, quando agendadas e aprovadas de acordo com as políticas da empresa, não são vistas como absenteísmo.
- Licenças legais: existem diversas licenças protegidas por lei, como licença-maternidade, licença-paternidade, licença para cuidados médicos familiares e outras similares. Estas são ausências legalmente protegidas e garantidas, reconhecidas como necessárias e justificadas.
- Ausências autorizadas: em algumas circunstâncias, os empregadores podem autorizar ausências por motivos pessoais sérios, como problemas jurídicos, funerais, ou outros compromissos importantes. Essas ausências, embora não previstas nas leis como as licenças legais, são aprovadas pela gestão e, portanto, não são classificadas como absenteísmo.
- Feriados oficiais: os feriados são dias em que as atividades de trabalho são oficialmente suspensas devido a celebrações nacionais, estaduais ou religiosas. Como tais dias são reconhecidos e observados universalmente, a não presença dos funcionários nesses dias não é considerada absenteísmo.
Causas de absenteísmo
Nem toda ausência no trabalho acontece pelo mesmo motivo. Algumas causas são previsíveis, outras indicam problemas estruturais. Empresas que entendem esses fatores conseguem agir antes que o absenteísmo afete os resultados.
Problemas de saúde
A saúde do trabalhador impacta diretamente sua presença no trabalho. Afastamentos por motivos médicos são comuns e, muitas vezes, inevitáveis.
Doenças crônicas e condições médicas
Diabetes, hipertensão e outras doenças crônicas exigem acompanhamento médico constante. Funcionários nessas condições podem precisar de consultas frequentes ou períodos de recuperação após crises.
A longo prazo, programas de prevenção e qualidade de vida ajudam a reduzir essas ausências. Iniciativas como check-ups regulares e incentivos à atividade física fazem diferença.
Saúde mental e estresse no trabalho
Nem toda ausência tem origem física. Síndrome de Burnout, ansiedade e depressão estão entre os principais motivos de afastamento prolongado.
Ambientes com cobranças excessivas, falta de reconhecimento e pressão constante afetam a saúde mental. Empresas que investem em suporte psicológico, flexibilidade e políticas de bem-estar reduzem esse tipo de absenteísmo.
Problemas organizacionais
O ambiente de trabalho influencia diretamente a presença e o engajamento da equipe. Um clima ruim pode afastar mais do que uma doença.
Clima organizacional e liderança
Funcionários que não se sentem valorizados ou trabalham sob gestão autoritária tendem a faltar mais. Falta de comunicação, ambiente tóxico e ausência de feedbacks construtivos contribuem para o afastamento.
Equipes com lideranças próximas e estruturadas apresentam menor índice de absenteísmo. Criar um ambiente de transparência e diálogo melhora a relação entre gestores e funcionários.
Carga de trabalho excessiva
Quando a equipe trabalha no limite, os reflexos aparecem. Horas extras frequentes, prazos apertados e falta de pausas adequadas geram esgotamento.
O resultado? Faltas frequentes e aumento do presenteísmo. Empresas que equilibram demanda e capacidade produtiva conseguem evitar esse cenário. Delegar tarefas, reconhecer esforços e oferecer incentivos são caminhos para manter a equipe produtiva sem comprometer sua saúde.
Fatores pessoais
Nem sempre o problema está dentro da empresa. Questões pessoais também levam o funcionário a se ausentar.
Conflitos familiares e pessoais
Problemas familiares podem impactar diretamente a rotina profissional. Separações, doenças de parentes e dificuldades financeiras são desafios que refletem no ambiente de trabalho.
Nesses casos, algumas empresas oferecem suporte social, horários flexíveis e ajuda psicológica para minimizar os impactos. Pequenos ajustes na jornada podem evitar afastamentos prolongados.
Dificuldades de transporte e logística
Morar longe, depender de transporte público ineficiente ou enfrentar trânsito intenso pode se tornar um problema constante. Atrasos frequentes podem evoluir para faltas repetidas.
Alternativas como home office parcial, horários flexíveis e transporte corporativo ajudam a reduzir esse tipo de absenteísmo. Quando a empresa facilita o deslocamento, a equipe se torna mais pontual e engajada.
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Como medir o índice de absenteísmo?
Saber quantas vezes um funcionário falta não é suficiente. Empresas precisam medir o índice de absenteísmo para entender padrões e tomar decisões estratégicas. O cálculo ajuda a identificar se o problema é pontual ou um alerta para mudanças na gestão.
Fórmula para cálculo do absenteísmo
A fórmula básica é simples e permite um acompanhamento direto da frequência de faltas.
Cálculo simples
A maneira mais comum de calcular o índice de absenteísmo é:
Índice de absenteísmo = (Total de horas perdidas/Total de horas trabalhadas) x 100
Se uma empresa tem 10 funcionários e cada um trabalha 160 horas por mês, o total de horas trabalhadas será 1.600 horas. Se nesse período ocorreram 80 horas de ausência, o cálculo será:
(80/1600) x 100 = 5%
Ou seja, o índice de absenteísmo foi de 5% no mês.
Cálculo ajustado para diferentes tipos de faltas
Nem toda ausência tem o mesmo impacto. Algumas faltas são justificadas (doenças, férias, licenças), outras não. Empresas podem calcular o absenteísmo líquido, considerando apenas as faltas não planejadas:
Índice de Absenteísmo Líquido = (Horas perdidas (exceto férias e licenças)/ Total de horas trabalhadas) x 100
Esse ajuste dá uma visão mais precisa sobre as ausências que realmente afetam a operação.
Ferramentas e indicadores para monitoramento
Monitorar o absenteísmo exige mais do que uma conta. Empresas utilizam softwares de gestão de ponto, planilhas automatizadas e BI (Business Intelligence) para acompanhar tendências.
Principais indicadores usados:
-Índice de absenteísmo geral: mede todas as ausências.
-Índice de absenteísmo injustificado: avalia apenas as faltas sem aviso.
-Comparação por setor: identifica áreas com maior impacto.
-Tendência anual: analisa padrões ao longo do tempo.
Quanto mais detalhado o acompanhamento, mais fácil agir preventivamente.
6 maneiras de prevenir o absenteísmo no local de trabalho
Embora não seja necessariamente um problema fácil de resolver, é vital para o sucesso da sua organização trabalhar para gerir melhor ou reduzir o absenteísmo dos funcionários no local de trabalho. Além de garantir que os funcionários cumpram as regras estabelecidas no seu contrato de trabalho, existem muitas outras estratégias eficazes para evitá-lo antes que se torne um problema ainda maior. Vamos dar uma olhada em alguns deles.
1.Implementar um programa de bem-estar
Stress.org relata que 80% dos trabalhadores sentem estresse no trabalho e quase metade afirma que precisa de ajuda para aprender como administrar o estresse. E quando os trabalhadores ficam estressados durante um período prolongado, isso pode levar a problemas de saúde (doenças cardíacas, depressão) que, por sua vez, levam ao absenteísmo crônico. No entanto, existe uma excelente forma de ajudar os trabalhadores antes que cheguem a esse ponto – um programa de bem-estar.
Os programas de bem-estar no local de trabalho que se concentram na educação para a saúde e nas modificações do estilo de vida têm as melhores hipóteses de aumentar a produtividade e o envolvimento dos funcionários. Eles também oferecem aos funcionários benefícios que vão muito além do local de trabalho para terem sucesso em seu tempo pessoal. Desde clínicas de gripe até terapia e aconselhamento dietético, um programa de bem-estar pode certamente reduzir o absenteísmo.
Um estudo recente da Associação Americana de Psicologia descobriu que “89% dos trabalhadores de empresas que apoiam esforços de bem-estar são mais propensos a recomendar a sua empresa como um bom lugar para trabalhar”. É difícil superar uma taxa de sucesso de quase 90%!
2.Defina uma política clara de frequência dos funcionários com incentivos
Um contrato de trabalho e um manual são uma coisa, mas existem incentivos além do contracheque padrão para garantir que todos compareçam ao trabalho? Dias extras de férias, folgas pessoais remuneradas, licença maternidade/paternidade, horários flexíveis, bônus, etc., são incentivos que agregam valor além do salário.
As políticas de frequência devem ser fáceis de compreender, interpretar e distribuídas a todos os funcionários (desde o CEO até aos trabalhadores horistas a tempo parcial). Devem abranger quanto tempo de folga é permitido, como solicitar folga, como registrar ausências e atrasos e como é o absenteísmo crônico.
3.Resolver ausências não programadas imediatamente
Se você está começando a ver um padrão de comportamento específico, a hora de abordar isso é agora, não mais tarde. O que poderia ser apenas um pequeno problema pode rapidamente se transformar em um problema significativo em pouco tempo. Isso irá informá-los de que suas ações foram percebidas e que a administração está preocupada. Verifique regularmente com seus funcionários e certifique-se de que todos estão bem.
4.Descubra a causa raiz do absenteísmo excessivo
Compreender as causas mais comuns do absenteísmo pode ajudá-lo a minimizar o tempo que as pessoas perdem no trabalho. É estresse? Excesso de trabalho ou tédio? Intimidação no local de trabalho? Falta de reconhecimento e/ou incentivos financeiros? Uma questão pessoal? Saber o que seus funcionários estão passando pode ajudá-lo a mitigar o problema antes que ele se torne um problema para a empresa.
As pesquisas no local de trabalho são uma ótima maneira de entender o que está acontecendo com sua força de trabalho. Sabemos que o feedback dos gestores aos funcionários ajuda a aumentar o moral, mas você sabia que também funciona na outra direção? Os trabalhadores que sentem que estão a ser ouvidos pela gestão têm maior probabilidade de gostar do local onde trabalham.
De acordo com a Forbes , um dos principais motivos pelos quais os funcionários pedem demissão é o cansaço de serem “esquecidos e ignorados”. O mesmo se aplica ao absenteísmo crônico... quem quer fazer o seu melhor trabalho se as suas preocupações profissionais não são ouvidas?
5.Agendamento flexível e dias de trabalho remoto
Especialmente depois que o mundo do trabalho mudou com a Covid-19 e todos começaram a trabalhar remotamente, permitindo horários flexíveis e alguns, se não todos, dias de trabalho remoto poderiam ser uma das melhores formas de prevenir o absenteísmo crónico.
Permitir que os funcionários ganhem a confiança de definir horários “alternativos” que melhor se adaptem às suas vidas geralmente contribui para uma força de trabalho mais feliz, saudável e produtiva. Se você contratar as pessoas certas, deverá confiar que elas farão seu trabalho dentro do prazo.
6.Salário e benefícios padrão da indústria
Garantir que você ofereça aos seus funcionários salários e benefícios padrão do setor ajuda muito a mantê-los motivados e engajados. Especialmente quando muitas oportunidades se apresentam durante uma boa economia, você quer garantir que seus funcionários não procurem outro lugar apenas por mais alguns dólares.
A ausência de funcionários é sempre um problema tanto para grandes como para pequenas empresas ( especialmente em janeiro e fevereiro , descobrimos!). Você deve compreender as razões por trás disso antes de implementar uma estratégia para evitá-lo. Reduzir o absenteísmo na sua força de trabalho não é apenas crucial para a sua rentabilidade, mas também é vital para a produtividade da sua força de trabalho.
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