Muri: o que é e como reduzir a sobrecarga no trabalho
Lean

11 de maio de 2022

Última atualização: 04 de dezembro de 2025

Muri: o que é e como reduzir a sobrecarga no trabalho

Você já se perguntou por que sua equipe entrega menos quando mais se exige dela?

Em muitas empresas, a resposta não está na falta de esforço, mas no excesso dele. Processos mal dimensionados, metas incompatíveis com a capacidade disponível e decisões que ignoram o tempo de execução criam um ambiente onde se trabalha cada vez mais e se entrega cada vez menos.

Esse fenômeno tem nome: Muri.

Quer entender como tudo isso está ligado? Confira até o final para entender melhor sobre o assunto.

O tripé do Sistema Toyota: Muri, Muda e Mura

O Sistema Toyota se apoia em três conceitos: Muda (desperdício), Mura (variação) e Muri (sobrecarga). Eles formam um tripé que sustenta a eficiência nos processos.

Muita gente foca apenas em cortar desperdícios. Mas se a carga de trabalho for maior do que o sistema suporta, o problema volta. O esforço não se mantém. Por isso, eliminar o Muri é essencial. É ele que pressiona as pessoas e empurra as falhas para dentro do processo.

Definindo Muri: sobrecarga além do limite

Muri é a sobrecarga de pessoas, máquinas ou processos, aparece quando a carga de trabalho está acima da capacidade disponível. 

Se a equipe precisa correr o tempo todo, se não há pausas, se tudo depende de esforço extra, então o processo está sobrecarregado. Isso reduz a qualidade da entrega e aumenta o risco de falhas. Produzir no limite não é eficiência. É desgaste.

Exemplos comuns de Muri no ambiente de trabalho

  • Turnos sem pausas mínimas para recuperação.
  • Demandas com prazos que não consideram o tempo necessário.
  • Falta de pessoas para a quantidade de tarefas.
  • Mudanças frequentes que pressionam entregas sem reorganizar o fluxo.

Esses sinais indicam que o sistema não está funcionando de forma equilibrada. Corrigir o Muri é agir antes que o problema se torne crônico.

Muda

Muda é definido como qualquer atividade dentro de um processo - seja ele produtivo ou administrativo - que irá consumir recursos. Porém, esses processos não irão agregar valor ao consumidor.  Segundo Taiichi Ohno, um dos criados do pensamento Lean Thinking, há dois tipos de muda: tipo 1 e tipo 2.

  1. Este tipo é sobre as atividades que não promovem nenhum valor, mas que são fundamentais e não podem ser eliminadas. Exemplo: atividades de inspeção.
  2. Estas atividades já podem ser eliminadas sem causar nenhum prejuízo. Exemplo: retrabalho.

Mura

Já a Mura é um conceito um pouco diferente. Aqui serão avaliadas as variações que podem proporcionar maior dificuldade no controle do processo. 

Sendo assim, é algo que precisa ser eliminado. Quando houver qualquer mudança dentro de um processo é preciso que haja previsibilidade dos resultados. 

A Mura serve para indicar se está havendo algum desequilíbrio ou falta de padronização.  O Mura ressalta que é importante criar novos processos, mas que eles devem ser padronizados e documentados, isso irá garantir que todos realizem da mesma maneira.

Como identificar o Muri na sua operação

O Muri nem sempre aparece nos relatórios. Ele se revela no comportamento das equipes, nos atrasos recorrentes e nas decisões improvisadas

Por isso, observar os sinais certos e usar ferramentas simples de análise pode ajudar a antecipar problemas antes que eles causem impactos maiores.

Sinais de alerta em times e processos

Alguns comportamentos mostram que a operação está sobrecarregada:

  • A equipe trabalha no limite o tempo todo e não consegue cumprir prazos sem esforço extra.
  • Pessoas evitam tirar férias ou pausas, com medo de prejudicar o andamento das tarefas.
  • Aumento de retrabalhos e erros em tarefas rotineiras.
  • Reuniões e urgências tomam o lugar do planejamento.
  • Equipamentos são utilizados sem intervalos, o que leva a falhas e manutenção frequente.

Esses sinais indicam que a demanda superou a capacidade natural de entrega. E, quanto mais tempo o Muri permanece, mais difícil se torna reverter seus efeitos.

Ferramentas visuais e checklists

Algumas ferramentas ajudam a identificar e mapear o Muri de forma prática:

  • Gráficos de carga de trabalho: mostram se há equilíbrio entre pessoas, turnos e atividades.
  • Quadros Kanban ou similares: facilitam a visualização do fluxo e destacam gargalos.
  • Checklist de rotina operacional: quando tarefas essenciais estão sendo puladas, é um sinal de sobrecarga.
  • Análise de tempo por tarefa: se o tempo gasto está sempre acima do previsto, o processo precisa de ajustes.

Essas ferramentas não precisam de tecnologia complexa. Basta consistência na coleta de dados e abertura para ajustar o que está desalinhado.

Exemplos de diagnóstico

Imagine uma equipe de atendimento com cinco pessoas que, ao longo das semanas, começa a atrasar respostas, acumular pendências e não consegue participar de reuniões. 

Ao analisar o volume de solicitações, percebe-se que a demanda aumentou 40%, mas a equipe continua do mesmo tamanho. É um exemplo direto de Muri.

Em outro caso, uma máquina começa a apresentar falhas depois de operar em turnos contínuos. A análise mostra que o equipamento está sendo usado sem pausa por três turnos seguidos, o que está acima da capacidade técnica recomendada pelo fabricante.

Em ambos os exemplos, o diagnóstico foi feito com base em dados simples: tempo, volume e capacidade. O que muda é a atenção aos sinais.

Estratégias para eliminar o Muri com base no modelo Toyota

Reduzir o Muri envolve revisar como o trabalho é planejado, como as pessoas são treinadas e como as decisões são tomadas.

Distribuição equilibrada de tarefas

Um dos princípios da produção enxuta é nivelar a carga de trabalho. Isso significa organizar as atividades de forma que ninguém fique sobrecarregado enquanto outros operam com folga.

Para isso, é necessário:

  • Estimar a capacidade de cada área com base em dados, não em metas.
  • Evitar mudanças de prioridade sem revisão do fluxo de trabalho.
  • Ajustar o ritmo das tarefas ao tempo disponível de cada função.

Distribuir bem não é dividir igualmente. É alocar com base na capacidade de entrega, sempre respeitando o limite do sistema.

Melhoria contínua e ciclos curtos de feedback

Quando há espaço para ajustes frequentes, o Muri pode ser reduzido antes de se transformar em crise. No modelo Toyota, as rotinas de feedback ajudam a perceber desvios rapidamente.

Aplicar essa lógica na operação significa:

  • Criar momentos regulares para revisão dos processos (diários, semanais ou conforme o ritmo do time).
  • Permitir que qualquer pessoa aponte sinais de sobrecarga.
  • Testar melhorias em ciclos curtos, sem esperar por grandes reformulações.

Com o tempo, essa prática reduz a dependência de decisões urgentes e permite que os times façam ajustes antes que os efeitos se acumulem.

Treinamento e desenvolvimento da liderança

Eliminar o Muri também depende de líderes preparados para observar, escutar e ajustar. No Sistema Toyota, o líder tem a responsabilidade de garantir que o processo funcione sem pressão excessiva.

Isso exige:

  • Capacidade de identificar sinais de desgaste na equipe.
  • Conhecimento técnico sobre o processo que está gerenciando.
  • Autonomia para tomar decisões que evitem a sobrecarga, mesmo que isso envolva rever prazos ou replanejar entregas.

Liderança, nesse contexto, não é cobrança. É suporte ao fluxo de trabalho, com base em dados, não em urgência.

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Equipe FM2S

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