Compliance deixou de ser apenas uma palavra da moda e tornou-se uma necessidade estratégica para empresas de todos os setores e tamanhos. Em um cenário global marcado por escândalos de corrupção e práticas antiéticas, o compliance se destaca como um alicerce essencial para garantir integridade, prevenir riscos e proteger a reputação organizacional.
Neste artigo, você vai entender o que é compliance, por que ele é importante, quais são seus pilares e como implementá-lo de forma eficaz na sua empresa.
O que é compliance?
Definição e conceito de compliance
Compliance significa agir de acordo com normas, leis e padrões éticos. No ambiente corporativo, isso se traduz em garantir que uma empresa e seus funcionários sigam regulamentos internos e externos, reduzindo riscos e fortalecendo a reputação.
O termo vem do inglês "to comply", que significa estar em conformidade. Em outras palavras, é um conjunto de práticas que evitam fraudes, falhas e condutas irregulares dentro das organizações. Empresas que adotam políticas de compliance buscam transparência, ética e segurança jurídica em suas operações.
Qual a origem do termo compliance?
O conceito de compliance não é novo. Ganhou força nos anos 2000, quando escândalos financeiros levaram empresas a reforçar normas para evitar fraudes e corrupção. Leis como a Lei Anticorrupção (12.846/2013) e regulamentos internacionais pressionaram organizações a adotar políticas rígidas de governança.
O objetivo sempre foi o mesmo: garantir que empresas sigam regras e boas práticas, evitando penalizações, danos à reputação e crises internas.
Como funciona o compliance dentro das empresas?
O compliance não é apenas um documento ou um conjunto de regras no papel. Ele precisa estar presente na cultura da empresa. Isso envolve:
- Definição de políticas e normas internas baseadas em leis e boas práticas.
- Treinamento de funcionários para garantir que conheçam e sigam as diretrizes.
- Monitoramento contínuo, com auditorias e canais de denúncia para identificar falhas.
- Ações corretivas para evitar que problemas se repitam.
Empresas que adotam compliance eficaz reduzem riscos legais e financeiros. Além disso, fortalecem a confiança de clientes, parceiros e investidores. Afinal, seguir regras não é só uma exigência — é um diferencial competitivo.
Os 3 pilares do Compliance
Embora diferentes organizações e setores possam ter variações nos elementos do compliance, é possível sintetizar os pilares em três principais componentes:
Prevenção
Envolve a criação e implementação de políticas e procedimentos que estabeleçam diretrizes claras e comportamentos esperados. Isso inclui a identificação e avaliação de riscos e a implementação de controles internos para minimizar a exposição a esses riscos. A prevenção também engloba a criação de uma cultura de conformidade, promovendo valores éticos e responsabilidade em todos os níveis da organização.
Detecção
Se refere ao monitoramento contínuo do cumprimento das políticas e regulamentações. Isso pode incluir a realização de auditorias internas e externas, a verificação do cumprimento das leis e regulamentações aplicáveis e a implementação de canais de denúncia para que funcionários e outras partes interessadas possam relatar suspeitas de violações.
Resposta e correção
É a adoção de medidas adequadas quando violações ou falhas de conformidade são identificadas. Isso inclui a aplicação de sanções disciplinares, a correção das violações, a implementação de medidas para prevenir futuras ocorrências e, quando necessário, a cooperação com as autoridades reguladoras e a aplicação da lei.
Esses três pilares do compliance, quando combinados, ajudam a garantir que uma organização opere de acordo com as leis, regulamentações e normas aplicáveis, além de manter a integridade e a reputação no mercado.
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Como implementar um programa de compliance eficaz?
Ter um programa de compliance estruturado não é apenas uma formalidade. Empresas que seguem boas práticas reduzem riscos, evitam sanções e ganham credibilidade. Mas, para que funcione, precisa ir além de regras no papel. A cultura organizacional deve absorver essas diretrizes e garantir que todos as sigam.
Os pilares de um programa de compliance
Um programa de compliance sólido se baseia em algumas diretrizes fundamentais. Sem elas, a aplicação de normas e boas práticas se torna frágil. Veja os principais pilares:
Suporte da alta administração
Nada funciona sem o apoio do topo. O comprometimento da liderança com o compliance define o tom da empresa. Se diretores e gestores não seguem as regras, a equipe também não seguirá. É o exemplo que impulsiona a cultura de conformidade.
Código de conduta e políticas internas
A empresa precisa de regras claras. Um código de conduta bem estruturado define o que é aceitável e o que não é. Inclui diretrizes sobre conflitos de interesse, relacionamento com fornecedores, uso de informações e conduta ética no dia a dia.
Mas o documento não basta. As regras precisam ser divulgadas e aplicadas. Se a equipe não sabe o que pode ou não fazer, de nada adianta ter um código de conduta.
Treinamento e capacitação dos colaboradores
Compliance não se aprende por osmose. Funcionários precisam ser treinados para entender normas e saber como aplicá-las. Programas de capacitação ajudam a equipe a identificar riscos e agir corretamente em situações do dia a dia.
Além disso, reciclagens periódicas são fundamentais. Regras mudam, e o conhecimento precisa ser atualizado.
Monitoramento e auditorias internas
De tempos em tempos, é preciso avaliar se as regras estão sendo seguidas. Auditorias internas identificam falhas e previnem problemas antes que se tornem crises.
Monitoramento contínuo permite ajustes rápidos e reforça a cultura de compliance. Se ninguém verifica, a tendência é que as normas fiquem esquecidas.
Canal de denúncias e medidas disciplinares
O compliance só funciona se houver fiscalização e consequências. Ter um canal de denúncias seguro e confidencial permite que funcionários reportem irregularidades sem medo de retaliação.
Mas relatar problemas não basta. A empresa precisa agir. Investigar denúncias e aplicar medidas disciplinares quando necessário é o que mantém a credibilidade do programa.
Ferramentas e tecnologias para compliance
A tecnologia ajuda — e muito — na gestão do compliance. Softwares especializados automatizam processos, rastreiam dados e garantem maior controle. Algumas ferramentas úteis incluem:
- Plataformas de gestão de compliance, que organizam normativas e obrigações.
- Sistemas de auditoria digital, que monitoram transações e identificam inconsistências.
- Canais de denúncia online, garantindo anonimato e segurança para os colaboradores.
Empresas que investem em tecnologia para compliance reduzem falhas humanas e melhoram a transparência. Afinal, regras bem aplicadas são um diferencial competitivo.
Dicas de gerenciamento de Compliance
Além destas, existem outras dicas gerais sobre o gerenciamento de compliance para aplicar no seu negócio:
- Use sistemas de informação que suportem o monitoramento das atividades da empresa e que estejam em conformidade com os processos de conformidade;
- Ter gestão de contratos para serviços e materiais alinhados com os níveis de conformidade estabelecidos pela empresa;
- Fortalecer as rotinas de inspeção e inspeção das atividades, incluindo aquelas que geralmente não possuem certificações;
- Foco na conformidade de processos nos níveis municipal, estadual e federal;
- Ter um sistema de padronização sempre ativo e atualizado na empresa;
- Ter processos de auditoria interna focados nos requisitos para obter conformidade;
- Possuir sistemas de controle com graus adequados de profundidade;
- Ter comunicação estruturada sobre os instrumentos normativos da empresa.
Com essas ações, a empresa reduz custos e despesas, aumenta sua receita operacional e evita perdas. Além disso, com o cumprimento das leis, a transparência dos processos torna-se uma realidade mais consolidada, o que traz maior confiança no mercado.
Quais são as responsabilidades do Compliance?
Direção da empresa
A direção da empresa tem a responsabilidade de estabelecer a importância da conformidade para toda a empresa e de criar uma cultura de conformidade. Eles devem assegurar que os recursos necessários sejam alocados para garantir que a conformidade seja alcançada e mantida.
Equipe de Compliance
A equipe de Compliance tem a responsabilidade de garantir que a empresa esteja em conformidade com todas as regulamentações e leis aplicáveis. Isso inclui a identificação de regulamentos e leis relevantes, a criação de políticas e procedimentos de conformidade, a capacitação dos funcionários e a monitorização constante da conformidade.
Funcionários
Todos os funcionários da empresa têm a responsabilidade de entender e seguir as políticas e procedimentos de conformidade da empresa. Eles devem ser capacitados sobre as regulamentações aplicáveis e as responsabilidades relacionadas à conformidade.
Como medir a eficácia do Compliance?
Avaliar o desempenho do programa de Compliance é fundamental. Utilize métricas como:
- Número de violações detectadas e corrigidas;
- Participação em treinamentos;
- Índice de conformidade em auditorias internas.
O monitoramento constante também é importante, e inclui revisar regularmente políticas e procedimentos de conformidade, bem como monitorar a implementação de políticas e procedimentos.
A revisão periódica inclui revisar regulamentos e leis relevantes, avaliar a eficácia das políticas e procedimentos de conformidade e identificar áreas de melhoria.
As regulamentações financeiras incluem leis e regulamentos que controlam a gestão financeira das empresas, como a contabilidade e a apresentação de relatórios financeiros.
A proteção de dados é uma área crítica de conformidade que abrange a segurança de dados pessoais e a privacidade das informações dos clientes. Isso inclui regulamentos como o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD) na União Europeia.
Áreas comuns de Compliance
Conformidade ambiental
A conformidade ambiental abrange as leis e regulamentos que regem as atividades da empresa que afetam o meio ambiente, como a gestão de resíduos e a emissão de gases de efeito estufa.
Conformidade trabalhista
A conformidade trabalhista abrange as leis e regulamentos que ordenam as relações entre empregadores e empregados, incluindo questões como salários, horas extras, férias e condições de trabalho.
Conformidade de saúde e segurança
A conformidade de saúde e segurança abrange as leis e regulamentos que controlam as condições de trabalho e a saúde dos funcionários, incluindo questões como ergonomia e segurança no trabalho.
Conformidade fiscal
A conformidade fiscal abrange as leis e regulamentos que regem as cobranças de impostos, incluindo questões como a apresentação de declarações de impostos e a remuneração de impostos devidos.
Conformidade ética
A conformidade ética abrange as leis e regulamentos que determinam as condutas ética das empresas e dos funcionários, incluindo questões como a corrupção, a discriminação e a exploração.
Um programa de compliance eficaz depende de gestores preparados para tomar decisões estratégicas, garantir a conformidade e fortalecer a cultura organizacional. Quer desenvolver essas habilidades? Acesse o curso gratuito de Fundamentos de Gestão e Liderança da FM2S! Aprenda como liderar com ética, estratégia e eficiência.

Compliance e legislação: o que sua empresa precisa saber?
Nenhuma empresa opera no vácuo. Leis e normas de compliance existem para garantir transparência, prevenir fraudes e evitar sanções. Ignorar essas regras pode custar caro, desde multas pesadas até bloqueios em contratos públicos. Saber quais leis regem o compliance no Brasil é o primeiro passo para evitar problemas.
Principais leis e normas de compliance no Brasil
Empresas precisam seguir uma série de regras para garantir conformidade. No Brasil, algumas leis se destacam quando o assunto é compliance corporativo:
- Lei Anticorrupção (12.846/2013) – Estabelece responsabilidade objetiva de empresas em casos de corrupção.
- Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD – 13.709/2018) – Define como dados pessoais devem ser tratados, protegendo a privacidade dos cidadãos.
- Lei das Estatais (13.303/2016) – Regula normas de governança e compliance em empresas públicas.
- Código de Defesa do Consumidor (Lei 8.078/1990) – Protege direitos dos consumidores e define boas práticas comerciais.
- Normas da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) – Regulam empresas de capital aberto, exigindo transparência financeira e controle interno.
Empresas que ignoram essas leis correm riscos sérios, desde penalizações financeiras até restrições comerciais.
Compliance e a Lei Anticorrupção (Lei nº 12.846/2013)
A Lei Anticorrupção mudou o jogo no Brasil. Antes dela, apenas indivíduos eram responsabilizados por atos de corrupção. Com a nova regra, empresas podem ser punidas independentemente de dolo ou culpa.
Se um funcionário ou terceiro cometer irregularidades em nome da empresa, a organização pode ser penalizada. As sanções incluem:
- Multas de até 20% do faturamento bruto ou até R$ 60 milhões.
- Proibição de firmar contratos com o governo.
- Publicação obrigatória da condenação, afetando a reputação da empresa.
Ter um programa de compliance estruturado pode atenuar penalidades. Empresas que demonstram boas práticas e mecanismos de controle podem ter redução das multas.
A relação entre compliance e LGPD
O compliance não se resume à corrupção. A Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) trouxe novas exigências para empresas que lidam com informações pessoais. O descumprimento pode gerar sanções pesadas, incluindo multas de até R$50 milhões.
O que as empresas precisam garantir para estarem em conformidade com a LGPD?
- Mapeamento de dados: saber quais informações pessoais são coletadas e como são usadas.
- Consentimento explícito: garantir que clientes aceitem o uso de seus dados de forma clara.
- Proteção de dados: implementar medidas de segurança para evitar vazamentos.
- Direito dos titulares: permitir que clientes solicitem acesso, correção ou exclusão de seus dados.
Um compliance digital bem estruturado reduz riscos e protege a empresa contra penalizações. Além disso, transparência no uso de dados fortalece a confiança dos clientes.
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