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SGQ

04 de julho de 2018

Última atualização: 25 de março de 2025

O que é o Sistema de Gestão da Qualidade(SGQ)?

A busca por produtos e serviços consistentes, confiáveis e alinhados às expectativas do cliente tornou-se uma exigência para empresas de todos os setores. Nesse cenário, o Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) surge como uma estrutura essencial para organizar processos, eliminar falhas e promover a melhoria contínua.

Mais do que uma exigência normativa, o SGQ ajuda a empresa a padronizar rotinas, aumentar a eficiência operacional e fortalecer a confiança do mercado

Neste conteúdo, você vai entender em detalhes como o SGQ funciona, quais são seus elementos principais, como ele evoluiu ao longo do tempo e quais práticas são recomendadas para sua implantação.

O que é o Sistema de Gestão da Qualidade?

Um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) é uma estrutura formal que define processos, procedimentos e responsabilidades com o objetivo de garantir que produtos e serviços atendam aos requisitos dos clientes e regulamentações aplicáveis. Mais do que um conjunto de documentos, o SGQ representa a estrutura organizacional voltada para a melhoria contínua da qualidade.

Ele promove a padronização das atividades, melhora o desempenho operacional e minimiza falhas nos processos, permitindo decisões baseadas em dados reais. Com um SGQ eficaz, a organização consegue alinhar seus objetivos estratégicos à satisfação dos clientes, reduzindo custos com retrabalho e aumentando a confiabilidade das entregas.

A implementação de um SGQ envolve:

  • Identificação dos processos-chave;
  • Definição de métricas e indicadores de desempenho;
  • Treinamento das equipes;
  • Avaliação contínua com auditorias internas e externas.

A principal referência global nesse tema é a norma ISO 9001:2015, que estabelece os requisitos para um sistema de gestão da qualidade eficaz. Essa norma enfatiza o foco no cliente, a abordagem por processos e a mentalidade de risco. Embora muitos associem  o SGQ diretamente à ISO 9001, é importante destacar que a norma é uma diretriz, e o SGQ é a aplicação prática dentro da organização.

Importante: o SGQ não é apenas um conjunto de documentos — os registros, manuais e procedimentos descrevem o sistema, mas o verdadeiro SGQ é a forma como ele é praticado no dia a dia da empresa.

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SGQ: influência industrial na qualidade e padronização

A história pode traçar suas raízes há séculos, quando artesãos começaram a se organizar em guildas, que funcionavam como sindicatos voltados à padronização e controle da produção. Com a chegada da Revolução Industrial, surgiram os primeiros sistemas de gerenciamento utilizados para controlar os resultados de produtos e processos.

À medida que as operações industriais se expandiram, mais pessoas passaram a trabalhar juntas, exigindo a criação de melhores práticas para garantir qualidade e consistência na produção. Essas práticas foram sendo estabelecidas, documentadas e transformadas em padrões reconhecidos dentro dos sistemas de gestão.

qualidade ganhou relevância durante a Segunda Guerra Mundial, período em que a compatibilidade entre produtos fabricados em diferentes regiões era crítica — por exemplo, balas produzidas em um estado precisavam funcionar perfeitamente com rifles fabricados em outro.

Inicialmente, os militares utilizavam inspeções unitárias em praticamente todos os produtos. Para tornar esse processo mais eficiente, passaram a empregar técnicas de amostragem para inspeção, com base em normas militares e métodos estatísticos de controle de processos desenvolvidos por Walter Shewhart.

Após a guerra, a importância da qualidade continuou crescendo. O Japão liderou uma transformação significativa ao adotar os princípios de Joseph M. JuranW. Edwards Deming, abandonando o foco em inspeção final e promovendo a melhoria contínua dos processos organizacionais com envolvimento das pessoas.

Na década de 1970, setores como eletrônicos e automotivo dos Estados Unidos sentiram o impacto da concorrência japonesa, cuja produção apresentava altos padrões de qualidade. Isso reforçou a urgência por sistemas estruturados de gestão que garantissem eficiência, padronização e competitividade global.

Quais são os sistemas da qualidade?

A resposta dos Estados Unidos à revolução da qualidade no Japão foi o desenvolvimento do conceito de Gestão da Qualidade Total (TQM). Essa abordagem ampliava o foco, indo além das métricas estatísticas e adotando uma visão organizacional integrada da qualidade.

No final do século 20, começaram a surgir organizações independentes responsáveis por desenvolver normas e padrões para orientar a criação e a implementação de sistemas de gestão. Foi nesse período que o termo “Total Quality Management” perdeu força, devido à diversidade de modelos específicos adotados por diferentes setores e empresas.

A partir disso, o termo “Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ)” passou a ser o mais utilizado, pois representa com mais precisão uma estrutura adaptável e orientada à melhoria contínua, independente do modelo escolhido.

No início do século 21, o SGQ começou a incorporar princípios de sustentabilidade e transparência, acompanhando a evolução das demandas sociais e do comportamento dos consumidores. A norma ISO 19011, que trata das diretrizes para auditorias de sistemas de gestão, passou a integrar aspectos de qualidade e sustentabilidade, reforçando a necessidade de uma abordagem unificada nas organizações.

Benefícios dos SGQ

implementação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) impacta diretamente todos os aspectos do desempenho organizacional. Ao adotar um sistema documentado e estruturado, a empresa passa a operar com maior previsibilidade, controle e alinhamento aos seus objetivos estratégicos.

Dois benefícios centrais da adoção de um SGQ são:

  • Atender aos requisitos dos clientes, o que fortalece a confiança na marca, gera mais vendas e aumenta a fidelização;
  • Cumprir os requisitos internos da organização, promovendo a conformidade com regulamentos, a eficiência no uso de recursos e criando condições favoráveis para o crescimento sustentável e aumento de lucratividade.

Além desses pontos amplos, o SGQ contribui para:

  • Comunicar a capacidade de gerar resultados consistentes;
  • Evitar falhas e retrabalho, com base em processos bem definidos;
  • Reduzir custos operacionais por meio da padronização;
  • Assegurar o controle sobre processos críticos;
  • Melhorar continuamente produtos, serviços e processos internos.

Esses ganhos tornam o SGQ não apenas uma exigência normativa, mas uma ferramenta estratégica para aumento de competitividade.

ISO 9001: 2015 e outros padrões de gestão da qualidade

A ISO 9001: 2015 é de longe o padrão de sistema de gerenciamento mais reconhecido e implementado no mundo. A ISO 9001: 2015 especifica os requisitos para um SGQ que as organizações podem usar para desenvolver seus próprios programas.

Outras normas relacionadas aos sistemas de gestão incluem o restante da família ISO 9000 (incluindo ISO 9000 e ISO 9004), a família ISO 14000 ( sistemas de gerenciamento ambiental ), ISO 13485 (sistemas de gerenciamento de qualidade para dispositivos médicos), ISO 19011 (auditoria sistemas de gestão), e ISO / TS 16949 (sistemas de gestão da qualidade para produtos relacionados com o automóvel).

Elementos e requisitos de um sistema de gestão da qualidade

Embora um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) deva ser adaptado às necessidades específicas de cada organização, existem elementos fundamentais comuns a qualquer modelo bem estruturado. Esses componentes são responsáveis por garantir que o sistema atenda de forma eficaz aos requisitos internos e aos padrões de qualidade esperados pelos clientes.

Os principais elementos de um SGQ incluem:

  • Política da qualidade e os objetivos estratégicos da organização;
  • Manual da qualidade, que descreve a estrutura do sistema e seus princípios;
  • Procedimentos operacionais, instruções de trabalho e registros documentados;
  • Gestão de dados, com foco na coleta, análise e uso de informações confiáveis;
  • Processos internos padronizados, que asseguram consistência na execução;
  • Satisfação do cliente baseada na qualidade dos produtos e serviços entregues;
  • Identificação de oportunidades de melhoria contínua;
  • Análises sistemáticas da qualidade, com base em indicadores e auditorias.

Cada um desses elementos contribui diretamente para o objetivo central do SGQ: garantir que os requisitos do cliente e da organização sejam atendidos de forma eficiente, controlada e com foco em melhoria contínua. Manter todos os componentes integrados é o que assegura o funcionamento pleno e eficaz do sistema.

Estabelecendo e implementando um SGQ

Estabelecer um sistema de gestão ajuda as organizações a funcionar de forma eficaz. Antes de estabelecer um sistema de gestão, a organização deve identificar e gerenciar vários processos multifuncionais conectados para garantir que a satisfação do cliente seja sempre a meta alcançada.

Há muitas coisas a considerar ao estabelecer um SGQ para sua organização. É de grande importância garantir que seja uma escolha estratégica influenciada pelos diversos objetivos, necessidades e produtos e serviços fornecidos. 

Essa estrutura é amplamente baseada no ciclo Planejar-Fazer-Verificar-Agir (PDCA) e permite a melhoria contínua do produto e do SGQ. As etapas básicas para implementar um sistema de gerenciamento são as seguintes:

  • Desenhar
  • Construir
  • Implantar
  • Ao controle
  • A medida
  • Reveja
  • Melhorar

As partes de design e construção servem para desenvolver a estrutura de um SGQ, seus processos e planos de implementação. A gerência sênior deve supervisionar essa parte para garantir que as necessidades da organização e as necessidades de seus clientes sejam uma força motriz por trás do desenvolvimento de sistemas.

Implantar

implantação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) torna-se mais eficaz quando realizada de forma granular, ou seja, com os processos divididos em subprocessos bem definidos. Essa abordagem facilita a compreensão, a execução e o controle de cada etapa pelas equipes envolvidas.

Para garantir consistência e engajamento, é importante investir em:

  • Documentação clara e acessível;
  • Treinamentos estruturados e contínuos
  • Ferramentas de apoio ao treinamento
  • Métricas que monitorem desempenho e aderência ao sistema.

Além disso, muitas organizações vêm utilizando suas intranets corporativas como suporte para a implantação, oferecendo um canal centralizado para disseminação de informações, materiais e registros relacionados ao SGQ.

Essa estrutura fortalece a cultura de qualidade e facilita o acompanhamento de resultados ao longo da implementação.

Controle e medida

Controle e medição são pilares fundamentais na estruturação de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ). Essas atividades são, em grande parte, conduzidas por meio de auditorias sistemáticas e periódicas, que avaliam a conformidade e a eficácia dos processos implementados.

As práticas de controle variam conforme o perfil da organização, levando em conta fatores como:

  • Porte da empresa;
  • Nível de risco operacional
  • Impactos ambientais associados às atividades.

Realizar auditorias com frequência adequada e foco nos processos críticos permite monitorar resultados, identificar desvios e propor ações corretivas. Esse ciclo fortalece a confiabilidade do SGQ e apoia a melhoria contínua.

Revise e melhore

A etapa de análise e melhoria no contexto de um Sistema de Gestão da Qualidade (SGQ) trata de como os resultados das auditorias são avaliados e utilizados. O foco não está apenas em identificar falhas, mas em gerar insumos para decisões e ajustes eficazes nos processos.

Os principais objetivos dessa análise são:

  • Avaliar a eficácia e a eficiência de cada processo em relação às metas estabelecidas;
  • Comunicar os achados das auditorias aos colaboradores, promovendo alinhamento e engajamento;
  • Desenvolver novas práticas e ajustes operacionais com base nos dados coletados, reforçando a melhoria contínua.

Esse processo sistemático transforma a auditoria em uma ferramenta de gestão estratégica, e não apenas em uma exigência de conformidade.

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Virgilio F. M. dos Santos

Virgilio F. M. dos Santos

Sócio-fundador da FM2S, formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp (2006), com mestrado e doutorado na Engenharia de Processos de Fabricação na FEM/UNICAMP (2007 a 2013) e Master Black Belt pela UNICAMP (2011). Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da UNICAMP, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

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