WCM - O que é? Como aplicar?
World Class Manufacturing Lean

09 de maio de 2017

Última atualização: 06 de fevereiro de 2025

WCM - O que é? Como aplicar? Como implantar na empresa?

A busca por eficiência operacional nunca foi tão relevante. Empresas que querem se manter competitivas precisam de processos ágeis, enxutos e com qualidade garantida. É nesse cenário que o World Class Manufacturing (WCM) se destaca.

Criado pela Fiat em parceria com universidades e especialistas, o WCM é um modelo de gestão que estrutura a produção em pilares estratégicos. O objetivo? Eliminar desperdícios, reduzir custos e aumentar a produtividade. Mais do que um conjunto de ferramentas, a metodologia exige uma mudança na cultura organizacional.

Neste conteúdo, você vai entender o que é o WCM, quais são seus pilares, como aplicá-lo e quais ferramentas fazem parte da sua estrutura. Além disso, veremos os desafios enfrentados pelas empresas que adotam esse modelo e como superá-los.

O que é WCM?

Você já ouviu falar em World Class Manufacturing (WCM)? Esse modelo de gestão industrial surgiu para transformar processos, cortando desperdícios e melhorando a produtividade. Grandes empresas apostam nele para manter operações mais ágeis e lucrativas.

Na prática, o WCM se organiza em pilares estratégicos, cada um focado em eficiência e qualidade. O objetivo? Reduzir custos, eliminar falhas e garantir um fluxo de trabalho mais inteligente. O método nasceu na indústria automotiva, mas hoje está presente em diferentes setores. Quem aplica sabe: não basta adotar ferramentas, é preciso criar uma cultura de melhoria contínua.

Quais são os pilares do WCM?

World Class Manufacturing (WCM) é estruturado em 20 pilares, divididos entre 10 técnicos10 gerenciais. Os pilares técnicos atuam diretamente na melhoria dos processos produtivos, enquanto os gerenciais garantem a sustentação e a evolução contínua da metodologia na empresa.

Os 10 pilares técnicos do WCM

Esses pilares são voltados para a execução e aprimoramento dos processos produtivos:

  1. Segurança no Trabalho (Safety) – Previne acidentes e melhora as condições no ambiente industrial.
  2. Custos (Cost Deployment) – Identifica desperdícios e reduz custos em cada etapa da produção.
  3. Melhoria Focada (Focused Improvement) – Resolve problemas de produtividade e eficiência com base no Kaizen.
  4. Manutenção Autônoma (Autonomous Maintenance) – Operadores assumem a responsabilidade pela conservação básica dos equipamentos.
  5. Manutenção Profissional (Professional Maintenance) – Equipes especializadas garantem a confiabilidade dos ativos industriais.
  6. Controle da Qualidade (Quality Control) – Previne defeitos e assegura padrões de qualidade elevados.
  7. Logística e Manuseio de Materiais (Logistics & Customer Service) – Otimiza o fluxo de materiais e reduz desperdícios no transporte.
  8. Gestão de Ferramentas Industriais (Early Equipment Management) – Implementa novos equipamentos e processos de forma eficiente.
  9. Gestão de Processos Industriais (People Development) – Padroniza e aprimora métodos produtivos para maior eficiência.
  10. Gestão Ambiental e Uso de Energia (Environment & Energy) – Reduz o impacto ambiental e melhora o uso de recursos energéticos.

Os 10 pilares gerenciais do WCM

Esses pilares garantem que a metodologia seja aplicada e sustentada no longo prazo:

  1. Comprometimento da Liderança (Management Commitment) – Envolvimento da alta gestão no WCM.
  2. Clareza na Definição de Metas (Clarity of Objectives) – Estabelecimento de indicadores e métricas claras.
  3. Motivação e Envolvimento da Equipe (Motivation of Operators) – Cultura organizacional voltada para melhoria contínua.
  4. Desenvolvimento de Competências (People Development) – Capacitação contínua dos colaboradores.
  5. Gerenciamento Diário (Daily Management Control) – Monitoramento e ajuste diário das operações.
  6. Gerenciamento de Projetos de Melhoria (Route Map to WCM) – Estruturação e priorização de iniciativas.
  7. Auditorias e Benchmarking (Audits and Benchmarking) – Avaliação interna e comparação com as melhores práticas do setor.
  8. Inovação e Tecnologia (Innovation Management) – Uso de novas tecnologias para aumentar a competitividade.
  9. Sustentabilidade Financeira (Cost Deployment Sustainability) – Controle financeiro para garantir o retorno das ações do WCM.
  10. Gestão da Cultura Organizacional (Cultural Change Management) – Consolidação da mentalidade de excelência operacional.

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No que consiste o pilar de distribuição de custos?

pilar de distribuição de custos segue uma técnica de sete passos para identificar gastos relacionados a perdas e desperdícios na fábrica. O objetivo é claro: entender onde estão os custos e definir quais desperdícios eliminar primeiro. Isso permite decisões mais racionais e uma alocação eficiente dos recursos.

Para que os resultados sejam mensuráveis e aceitos sem resistência, é fundamental contar com profissionais de contabilidade e finanças, além da equipe operacional. Essa combinação garante que os ganhos econômicos sejam registrados com rapidez e precisão. A transparência nos números fortalece a credibilidade da metodologia e facilita sua adoção dentro da empresa.

Como aplicar a metodologia WCM?

A implementação do World Class Manufacturing (WCM) exige estrutura, disciplina e engajamento da equipe. O método vai além da adoção de ferramentas: é um modelo de gestão que transforma a cultura da empresa. Mas, por onde começar?

Passo a passo para implementar o WCM

A aplicação do WCM segue um roteiro estruturado. Cada fase tem metas específicas para garantir que a transição ocorra sem comprometer a operação:

  1. Mapeamento das perdas e desperdícios – Identifique onde estão os maiores custos e gargalos produtivos.
  2. Definição dos pilares prioritários – Nem todas as empresas precisam aplicar os 20 pilares de uma vez. O foco inicial deve estar nos pontos críticos.
  3. Engajamento da liderança e dos operadores – A metodologia só avança se houver envolvimento de todos os níveis da organização.
  4. Treinamento e capacitação da equipe – Operadores e gestores precisam entender os conceitos do WCM e sua aplicação prática.
  5. Monitoramento e ajustes constantes – O desempenho deve ser acompanhado com indicadores claros para garantir a melhoria contínua.

A velocidade da implementação depende do grau de maturidade da empresa. O avanço acontece em estágios e precisa de acompanhamento rigoroso.

Quais desafios as empresas enfrentam ao adotar o WCM?

A transição para o WCM não acontece sem obstáculos. Algumas dificuldades comuns incluem:

  • Resistência à mudança – Nem todos os colaboradores adotam novas práticas com facilidade. A cultura organizacional precisa ser trabalhada.
  • Falta de suporte da liderança – Sem o envolvimento dos gestores, a metodologia perde força. O WCM exige comprometimento de cima para baixo.
  • Dificuldade na mensuração de resultados – Empresas que não estruturam bem os indicadores podem ter dificuldades para demonstrar os ganhos do WCM.
  • Integração entre setores – O modelo exige colaboração entre áreas como produção, manutenção e qualidade. Processos isolados comprometem a eficiência.

Superar esses desafios exige consistência. Empresas que aplicam o WCM de forma estruturada colhem ganhos em eficiência, redução de custos e competitividade. O segredo está na execução.

5 principais ferramentas do WCM

World Class Manufacturing (WCM) se baseia em ferramentas que ajudam a reduzir desperdícios, otimizar processos e melhorar a qualidade. Algumas são aplicadas globalmente para tornar operações mais eficientes. A seguir, conheça cinco das mais utilizadas no WCM.

Kaizen: melhoria contínua na prática

Kaizen é uma abordagem que propõe melhorias graduais e constantes. Em vez de mudanças bruscas e custosas, o foco está na eliminação de desperdícios e na otimização de processos de forma progressiva. Empresas que adotam essa ferramenta envolvem toda a equipe na busca por eficiência.

No WCM, o Kaizen ajuda a resolver problemas identificados em qualquer um dos pilares. Pequenas ações corretivas são implementadas rapidamente e avaliadas para verificar o impacto. O resultado é um ambiente de trabalho mais produtivo e estruturado.

5S: organização que impacta a produtividade

O método 5S melhora o ambiente de trabalho, eliminando desperdícios e aumentando a eficiência. O nome vem de cinco palavras japonesas que representam seus princípios:

  1. Seiri (Utilização) – Remover itens desnecessários.
  2. Seiton (Organização) – Posicionar cada item no local correto.
  3. Seiso (Limpeza) – Manter o ambiente limpo e seguro.
  4. Seiketsu (Padronização) – Criar regras para manter a organização.
  5. Shitsuke (Disciplina) – Tornar o método parte da cultura da empresa.

No WCM, o 5S reduz o tempo de busca por materiais, melhora a segurança e impacta diretamente a produtividade. É um dos primeiros passos para quem deseja adotar a metodologia.

Análise de Causa Raiz (RCA): eliminando problemas na origem

Análise de Causa Raiz (Root Cause Analysis – RCA) identifica a verdadeira origem de um problema para evitar que ele se repita. Em vez de apenas corrigir os efeitos, a ferramenta busca resolver a causa principal da falha.

No WCM, a RCA é aplicada junto a métodos como os 5 Porquês e o Diagrama de Ishikawa (Espinha de Peixe). Com isso, a empresa identifica problemas estruturais e adota soluções duradouras. A aplicação correta reduz retrabalho, melhora a qualidade e aumenta a eficiência.

TPM (Total Productive Maintenance): manutenção produtiva total

TPM (Total Productive Maintenance) integra operadores e equipe de manutenção para melhorar a confiabilidade dos equipamentos. O foco está em reduzir falhas, aumentar a vida útil das máquinas e melhorar a produtividade.

WCM utiliza o TPM para evitar paradas inesperadas e falhas que impactam o fluxo de produção. A estratégia inclui manutenção preventiva, treinamento da equipe e análise de dados para prever problemas antes que eles ocorram. O resultado é um processo produtivo mais estável e eficiente.

Value Stream Mapping (VSM): otimizando o fluxo de valor

Value Stream Mapping (VSM), ou Mapeamento do Fluxo de Valor, é uma ferramenta visual que identifica desperdícios no processo produtivo. O método permite analisar cada etapa do fluxo de trabalho e encontrar pontos que podem ser otimizados.

No WCM, o VSM ajuda a visualizar a relação entre tempo de produção, gargalos e desperdícios. A partir da análise, a empresa pode redesenhar processos, eliminando atividades que não agregam valor e tornando a operação mais ágil.

Para quem busca um sistema de produção mais eficiente e estruturado, o WCM se apresenta como uma solução robusta. O segredo está na aplicação correta das ferramentas e na construção de uma cultura voltada para a melhoria contínua.

 

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Virgilio F. M. dos Santos

Virgilio F. M. dos Santos

Sócio-fundador da FM2S, formado em Engenharia Mecânica pela Unicamp (2006), com mestrado e doutorado na Engenharia de Processos de Fabricação na FEM/UNICAMP (2007 a 2013) e Master Black Belt pela UNICAMP (2011). Foi professor dos cursos de Black Belt, Green Belt e especialização em Gestão e Estratégia de Empresas da UNICAMP, assim como de outras universidades e cursos de pós-graduação. Atuou como gerente de processos e melhoria em empresa de bebidas e foi um dos idealizadores do Desafio Unicamp de Inovação Tecnológica.

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