O Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, celebrado em 11 de fevereiro, reforça a importância da participação feminina no avanço científico.
No mundo da ciência e da inovação, as mulheres desempenharam papéis fundamentais, muitas vezes sem o devido reconhecimento. Da descoberta do DNA às pesquisas sobre radioatividade, suas contribuições moldaram a sociedade como conhecemos hoje. Mas os desafios persistem.
Neste artigo, exploramos a trajetória das mulheres na ciência, os avanços conquistados, a importância da representatividade e, principalmente, como o mundo corporativo pode desempenhar um papel crucial para impulsionar essa transformação.
O caminho das mulheres na ciência
Durante séculos, o acesso feminino à ciência foi limitado. Mesmo quando suas descobertas eram revolucionárias, muitas mulheres não receberam o crédito merecido.
- Rosalind Franklin: teve seu trabalho fundamental sobre o DNA utilizado sem reconhecimento adequado.
- Lise Meitner: ajudou a descobrir a fissão nuclear, mas o Prêmio Nobel foi concedido apenas ao seu colega Otto Hahn.
- Marie Curie: primeira mulher a ganhar um Nobel, enfrentou resistência para ser aceita na academia científica.
Apesar dessas dificuldades, as mulheres persistiram. Hoje, representam 33% dos pesquisadores globais, segundo a UNESCO. Um avanço significativo, mas ainda longe da equidade.
Quais desafios ainda existem?
Mesmo com mais oportunidades, as barreiras persistem:
- Diferença salarial: mulheres na ciência ganham, em média, 18% a menos do que seus colegas homens. (Fonte: UNESCO, 2021)
- Baixa representatividade em cargos de liderança: apenas 2% das posições de liderança em ciência e tecnologia na América Latina são ocupadas por mulheres. (Fonte: Agência Brasil, 2021)
- Menor incentivo na infância e adolescência: meninas são desencorajadas a seguir carreiras nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática). (Fonte: British Council, 2023)
- Conciliar carreira e vida pessoal: a sobrecarga de trabalho e as exigências familiares ainda recaem mais sobre as mulheres, impactando suas carreiras. (Fonte: British Council, 2023)
- Preconceitos e estereótipos de gênero: mulheres precisam provar constantemente sua competência em ambientes predominantemente masculinos.
- Acesso limitado à educação: meninas em diversos países têm menos acesso a formação de qualidade e incentivos para seguir carreiras científicas.
Para mudar esse cenário, o incentivo precisa começar cedo e continuar dentro das empresas e instituições.
Avanços e representatividade
A presença feminina na ciência e tecnologia cresce ano a ano. Mais mulheres estão publicando pesquisas, assumindo posições de liderança e quebrando barreiras antes intransponíveis.
Por que a representatividade feminina na ciência importa?
- Gera inovação: times diversos são mais criativos e eficazes na solução de problemas.
- Reduz vieses: pesquisas conduzidas apenas por homens podem ignorar fatores que impactam diretamente as mulheres.
- Inspira novas gerações: a visibilidade de mulheres cientistas incentiva meninas a considerarem carreiras na área.
Mulheres que estão mudando a ciência hoje
- Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier: vencedoras do Prêmio Nobel de Química 2020 por desenvolverem a técnica de edição genética CRISPR.
- May-Britt Moser: neurocientista que descobriu células que ajudam a entender a localização espacial e a memória espacial.
- Katie Bouman: cientista que ajudou a capturar a primeira imagem de um buraco negro.
O papel das empresas: como impulsionar a presença feminina
O ambiente corporativo tem um papel fundamental na construção de uma ciência mais inclusiva. Além das universidades e centros de pesquisa, as empresas são responsáveis por fomentar a inovação e criar espaços de oportunidades.
Como as empresas podem apoiar as mulheres na ciência?
Criando programas de mentoria e liderança feminina
- Empresas podem estabelecer iniciativas para preparar mulheres para cargos estratégicos em ciência e tecnologia.
- Mentoras experientes ajudam a guiar talentos femininos em suas trajetórias.
Oferecendo oportunidades reais de crescimento
- Processos seletivos mais inclusivos, que incentivem a presença feminina.
- Planos de carreira claros, com equidade salarial e oportunidades de promoção.
Investindo em educação e capacitação
- Parcerias com universidades para estimular o ingresso de meninas em carreiras científicas.
- Programas de bolsas e incentivo à pesquisa para mulheres.
Criando um ambiente corporativo mais inclusivo
- Políticas que favoreçam equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
- Combate ao viés inconsciente na tomada de decisões dentro das empresas.
Por que as empresas devem incluir mais mulheres?
A diversidade no ambiente de trabalho não é apenas uma questão social, mas também um diferencial competitivo. Empresas que incentivam a presença feminina em áreas científicas e tecnológicas colhem benefícios diretos, como:
Inovação e criatividade: equipes diversas geram soluções mais completas e eficientes. Estudos mostram que empresas com maior diversidade de gênero têm até 20% mais chances de inovar. (Fonte: McKinsey, 2021)
Melhor desempenho financeiro: organizações com mais mulheres em cargos técnicos e de liderança apresentam resultados financeiros superiores. (Fonte: Harvard Business Review, 2022)
Maior atração e retenção de talentos: ambientes inclusivos favorecem a retenção de profissionais qualificados e engajam novas gerações.
Reputação e impacto social: empresas que promovem a diversidade se destacam no mercado, fortalecendo sua marca empregadora e a confiança do público.
A inclusão feminina na ciência não é só uma questão de equidade – é uma estratégia de crescimento sustentável e inovação para o setor corporativo.
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Iniciativas e projetos de incentivo para mulheres na ciência
Existem diversas iniciativas e projetos dedicados a incentivar a participação de mulheres na ciência, tanto no Brasil quanto na América Latina. Abaixo, apresentamos algumas dessas ações:
1. Programa Futuras Cientistas
Desenvolvido pelo Centro de Tecnologias Estratégicas do Nordeste (CETENE), vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o programa visa aproximar alunas e professoras da rede pública das áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). Oferece mentorias, atividades práticas em laboratórios e imersões em projetos de pesquisa.
2. Rede Brasileira de Mulheres Cientistas
A Rede Brasileira de Mulheres Cientistas (RBMC) é um movimento social que promove a ciência e incentiva a participação feminina por meio de diversos projetos. Surgiu a partir de ações para combater a pandemia de COVID-19 e ampliar debates entre redes e grupos parceiros.
3. Projeto "Meninas na Ciência" da USP
A Universidade de São Paulo (USP) desenvolve projetos destinados a incentivar meninas dos ensinos fundamental e médio a seguirem carreiras nas áreas STEM, como o "Vai ter menina na Ciência", que promove oficinas e atividades práticas.
4. Projeto "Mulher das Estrelas"
Criado pela astrônoma brasileira Duília de Mello, este projeto populariza a ciência e encoraja estudantes do sexo feminino a seguirem carreiras em STEM. Inclui a publicação de livros motivacionais e a realização de palestras para estudantes.
Ciência, mulheres e o futuro corporativo
As mulheres sempre estiveram na ciência, mas nem sempre receberam o espaço e o reconhecimento que merecem. O futuro passa pela inclusão, pelo incentivo e pela criação de oportunidades.
As empresas têm o poder de transformar esse cenário. Investir em diversidade não é só uma questão de justiça social – é uma estratégia de inovação e crescimento sustentável.
O futuro das mulheres na ciência depende de ações contínuas para eliminar barreiras históricas e criar ambientes mais inclusivos. As estatísticas mostram que a participação feminina está crescendo – mas ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a equidade.